Em 1967 à 1968 comecei a dirigir meu trabalho, para uma relação de linguagem plástica à tecnologias industriais, assim como processos eletrônicos e computadorizados na obtenção de formas e suas correlações espaciais. É nesta época que produzo a série de esculturas rodantes com as quais participo de alguns salões oficiais e produzo algumas em séries para serem distribuídas como múltiplos. Nestas peças a função lúdica era importante, pois era minha intenção ter uma participação ativa do público, como se esta ação fosse o elemento orgânico que completava a composição estética. Neste trabalhos o fator tecnológico tinha o objetivo de, na procura de novos suportes e materiais levar a uma expressão que ultrapassasse o aspecto estético, mas com uma identificação contemporânea da relação arte/produção/público, onde a ação participativa era fundamental no contexto político social da época.

Quando em 1969, na X Bienal Internacional de São Paulo, apresentei um conjunto de esculturas em aço inoxidável, elaboradas geometricamente, obedecendo uma lógica matemática e dentro delas emanava uma iluminação animada eletronicamente, compondo com manchas vermelhas, que se espraiavam no salão. Eu propunha uma discussão entre a lógica e o emocional, entre o robô e o homem, em suma, entre o métrico e o gestual.
Esta questão está em toda minha obra, nos últimos 40 anos, de forma direita, ou, ás vezes com sutis sugestões na temática ou na linguagem.

Nesta mostra, a relação está evidente, de forma concisa na geometria, que estrutura as composições, com quadrados, curvas e retas gerando planos, que com definições de cores, se justapõem a gestos orgânicos, penetrantes, impulsivos, lacivos e ás vezes invasivos.

Gilberto Salvador   


Av. Morumbi 7986 - São Paulo - SP - 04703-001 - Brasil
tel.: (55 11) 5041.0157 fax: 5041.7115 - multipla@multipladearte.com.br