Afinal, o que é o Múltiplo?

Múltiplo é uma obra de arte tridimensional feita em série. Por ser parte de uma tiragem de objetos idênticos, o múltiplo é mais barato do que uma escultura/peça única, tornando-se mais acessível para o público.

Um pouco de história...

O múltiplo surgiu no fim dos anos 60, quando alguns artistas passaram a criar obras de arte tridimensionais já prevendo a sua reprodução em grande escala. Era um novo conceito de arte moderna, resultado da reprodutibilidade técnica que a era industrial passava a permitir, opondo-se ao conceito de obra única até então dominante.

O artista húngaro Victor Vasarely, um dos primeiros a adotar o múltiplo, acreditava que o mito da obra única desapareceria: "Os artistas não podem desconhecer as vantagens que a técnica nos oferece. Devemos ser coerentes com a nossa época."

O surgimento do múltiplo também estava atrelado a um conceito essencialmente político: a democratização da arte através da multiplicação da obra de arte, ou seja, os custos de produção seriam diluídos na tiragem, permitindo que um maior número de pessoas tivessem acesso a um produto cultural. O novo conceito contrariava a arte considerada elitista, limitada a museus e coleções, idéia que entusiasmou muitos artistas.

A obra múltipla proliferou-se por diferentes movimentos artísticos dos anos 60 e 70; artistas da pop art, optical art, minimalismo apropriaram-se do novo conceito em seus trabalhos. Apesar do múltiplo não ter acabado com a aura da obra de arte única, como pensava Vasarely, ele incorporou-se definitivamente à produção artística do século 20.

Brasil

No Brasil, o múltiplo também despertou o interesse de artistas a partir do fim dos anos 60. Nelson Leirner , Amélia Toledo, Vlavianos, LP Baravelli, entre outros, discutiram em seus trabalhos os conceitos de reprodução industrial e democratização da arte.

Em 1972, a Multipla de Arte realizou a primeira exposição coletiva sobre o Múltiplo no Brasil.
Especializada no tema, a galeria teve um papel importante na introdução e divulgação do conceito de obra múltipla no país.

Três décadas depois, as discussões envolvendo o múltiplo cessaram, mas ele tornou-se parte integrante do mercado de arte brasileiro.







Objetos de arte, assim como os múltiplos, são peças feitas em série por um artista. A diferença é que o objeto de arte tem, além do resultado estético, função. Cinzeiros, vasos, centros de mesa, porta - canetas, jogos americanos, pesos para papel, bases de mesa, castiçais, assinados por artistas plásticos, são alguns exemplos de objetos na arte contemporânea.

"O objeto na arte não é novidade. Tendências e avanços na arte moderna tem sido expressos frequentemente em formas tão diversas quanto as cerâmicas de Picasso e os móveis de Balla, sem contar os object trouvé de Duchamp, que tanto influenciaram a arte contemporânea. Objetos litúrgicos domésticos, ao mesmo tempo ornamentais e utilitários, tem sido muito apreciados através da história.... O Fabergé, o Art Deco, o Cloisonné se tornaram relíquias como os cálices e ânforas da Grécia antiga..." Angelo Camillos, Nova York, 1989.


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